sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Semear


Foi um presente inesperado...
Cercado de palavras ainda mais inesperadas...
Era tão óbvio assim?

Mas aí estava escrito
que a melhor época pra plantar era junho...
E como ainda era dezembro,
eu esperei...

Não aquela espera cheia de expectativas,
mas aquela espera aliviada...
De quem tem medo de colher o que plantou...
Ou de ver morrer na terra
a esperança da flor...

E as sementes ficaram esquecidas...
Assim como junho...
E julho, e agosto...
E dezembro chegou de novo...

E o tempo de semear passou...
Do jardim que poderia ter sido
Ousaram brotar só algumas (belas) lembranças

E a primavera continua latente
confinada no cerne de cada semente
e esperando a minha coragem
de espantar o inverno.
(R.R.M.)

domingo, 7 de novembro de 2010

Luz dos olhos


Cassia Eller
Composição: Nando Reis


Ponho os meus olhos em você

Se você está

Dona dos meus olhos é você

Avião no ar


Dia pra esses olhos sem te ver

É como o chão do mar

Liga o rádio a pilha à tv

Só pra você escutar

A nova música que eu fiz agora

Lá fora a rua vazia chora


Os meus olhos vidram ao te ver

São dois fãs, um par

Pus no olhos vidros pra poder

Melhor te enxergar

Luz nos olhos para anoitecer

É só você se afastar

Pinta os lábios para escrever

A tua boca em minha


Que a nossa música eu fiz agora

Lá fora a lua irradia a glória
E eu te chamo

Eu te peço vem

Diga que você me quer

Porque eu te quero também


Faço as pazes lembrando

Passo as tardes tentando

Te telefonar


Cartazes te procurando

Aeronaves seguem pousando

Sem você desembarcar


Pra eu te dar a mão nessa hora

Levar as malas pro Fusca lá fora
E eu vou guiando


Eu te espero vem

Siga aonde vão meus pés

Porque eu te sigo também


Eu te amo

Eu te peço vem

Diga que você me quer

Porque eu te

Quero também


Dei pra ouvir essa música... ela me chama... me deleita... me exige... me inquieta... só não aprendi a ser imune ainda...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Guardiã



Sentada sozinha
de rosto colado à janelinha
a mulher pescava vestígios da cidade
por entre o piso de algodão.

Foi então que Ela chegou
majestosa e misteriosa
envolta em véus de nuvens.

Fez seu conhecido jogo de sedução,
vagarosamente revelou-se,
integralmente e em plenitude
desnudou-se
conquistou.

Presa fácil de suas conhecidas armadilhas
só restou à mulher sorrir.
Sua guardiã argírica,
noturna e voluntariosa
cumpriu mais uma vez sua missão
e já pode se recolher aos seus celestes aposentos.

"Sim, Meu Bem... Eu senti muito a sua falta..." - pensa consigo mesma
de olhos fixos Nela
e coração pertinho de casa
(R.R.M.)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nas pontas dos dedos


Com as pontas dos meus dedos
eu recrio na sua pele
a sensação que inspirou Deus
a criar o universo.

Universo esse que desvendo
olhando nos seus olhos
e te assistindo sucumbir
enquanto acaricio sua nuca
com as pontas dos meus dedos...

(R.R.M.)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Tá tudo bem?"


Me surpreendi com a pergunta feita pela segunda vez: "Você tá estranha hoje, tá tudo bem?". Oras, mas é claro que está tudo bem! Porque não estaria? Acordei hoje como acordo todos os dias, o almoço tem o mesmo gosto bom de comida de mãe, as aulas continuam chatas como sempre e entre elas vejo as pessoas que me fazem entender porque estar ali é tão bom, vez ou outra uma prova, vez ou outra uma escapada pra algum barzinho...
Tá tudo bem não tá? As coisas estão onde deveriam estar... eu também estou onde deveria estar, não estou?
Então porque a mesma pergunta, duas vezes?
A imagem no espelho não mudou, tem alguns anos que já não muda.
Então por que a pergunta?
Eu tô dando conta direitinho do que tenho que fazer, não tô?
Então por que a pergunta?

sábado, 11 de setembro de 2010

Necessidade de cont(r)atos




Já não suporto mais
não aguento
esses malditos rituais
que a tua ausência me obriga a eternizar

Contei passos
perdi abraços
e nos percalços
errei os compassos

Não consigo mais
não quero gestos vazios
preciso dos traços letais
que me tomam nos desvios

Quero seus olhos
focados nas curvas do meu corpo
mas só enquanto absorvo
o desejo ali refletido

Quero tuas mãos
apertando minha cintura
enquanto beijas com loucura
a curva do meu pescoço

Quero tua língua
deixando pequenas marcas nas minhas costas
e os arrepios quentes
nas partes mais expostas

Quero minhas pernas
entre suas coxas
e o frenesi do apogeu
desfazendo a insegurança frouxa
que - por um segundo - nos constrangeu

E quando - por fim
nos entregarmos exaustos
ao abraço de Morfeu
meu peito sobre o teu
estarei liberta enfim
da incapacidade de te dizer
ADEUS


(R.R.M.)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Trepa ou sai de cima


Me imprensou contra a parede
denovo
"O que é que você quer?"

Me vi cair
na armadilha que eu mesma criei
na teia que teço
há tantos anos
que a alma já se perdeu nos fios

O que eu quero de verdade?
Óbvio!
Nao ser confrontada com escolhas

Não quero perder
Não quero abrir não
Não quero ceder
Não quero
Não quero...

"O que é que você QUER?"
Não sei...
E o mundo não vai me esperar descobrir
ou que sabe decidir
admitir
ESCOLHER

Meu tempo
(que só por egoísmo chamo de MEU)
escorre por entre meus dedos
à cada tentativa de retê-lo um pouco mais

"O que é que você quer?"
Um segundo mais
Um minuto mais
Uma hora mais...
Uma Vida mais

(R.R.M.)

domingo, 22 de agosto de 2010

Medo de morrer




Tenho medo de morrer
durante o sono
afogada nas lágrimas que derramei
afogada no medo
de não ter admitido que amei
me debatendo
soterrada pelo sofrimento que impingí
às pessoas a quem me devotei.

Tenho medo de morrer
sem ter me permitido
conhecer o melhor e o pior de mim
de deixar o desconhecido me varrer
sabendo que foi tudo uma busca vã
e que chegou fim

Tenho medo de morrer
sem ter tido tempo pra me desculpar
me despedir
sem ter tido a coragem de olhar nos olhos
e dizer "Obrigada"
sem chorar e sem querer ficar
Tenho medo de não saber partir.


(R.R.M.)

sábado, 14 de agosto de 2010

AMIGOS


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários. De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

VINÍCIUS DE MORAES

(Pela primeira vez alguém entendeu perfeitamente)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Alter(ações)

Não deu pra dormir sem pensar... Nunca dá, mas hoje o álcool me forneceu mais uma dose de pensamentos indigestos. Porre meu? Não. Não tenho gosto nem estômago pra isso e disso você bem sabe. Foi o seu estado "levemente alterado" que me alertou, que me atingiu, que me fez pensar. Como já aconteceu antes, ele agora agiu em você. Só reduziu a sua resistência, removeu (em parte) seu filtro e me possibilitou confrontar o que eu já sabia, mas nunca imaginei que me seria dito de frente e sem máscaras bonitas e coloridas. "Eu gosto de brincar com coisas sérias" "Mas você não sabe como as suas brincadeiras afetam as pessoas com quem você brinca". Simples, objetivo e direto, como (se me permite dizer), você só o faria "levemente alterado". E aí se foram algumas horas de conversa banais... mas foi debaixo do meu edredon que as repercussões dessa frase se fizeram presentes. É verdade. Por razões que eu me obriguei a enxergar, percebi que brincar com coisas sérias não é de fato sensato ou inocente, e que as conseqüências virão, esteja eu esperando por elas ou não... Mas a verdade é que me afeiçoei à irresponsabilidade pueril, que há muito tempo já deveria ter sido superada. A grande verdade é que tenho medo de crescer, medo das responsabilidades que me esperam, inclusive e principalmente pelas conseqüências de meus atos. Foi no seu estado "levemente alterado" que você me fez enxergar com mais precisão a minha necessidade de ME alterar também. De romper meu egocentrismo infantil. É hora de deixar de brincar e começar a falar mais sério. Mas além de tudo, é hora de prestar atenção NO QUE é dito,COMO é dito e como isso é RECEBIDO. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Tá mais do que na hora de assumir a responsabilidade. Então, primeiro de tudo, me perdoa pela imaturidade e depois, obrigada pela oportunidade de crescer.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

HARMONIA






Har.mo.ni.a (subst) : combinação de elementos diferentes e individualizados, mas ligados por uma relação de pertinência, que produz uma sensação agradável e de prazer.

Fonte: Dicionário Houaiss online

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Outdoor


A marca no pescoço é vestígio do ontem
Prova de que estivemos juntos.


Prova?

Mero indício de que me provaste.

Mas que gosto tenho?
Não sei
Acabou antes que me disseste.


Como acontece com toda prova

não aprofundaste o paladar

Mais do que prova de mim
a pequena marca vermelha
que adorna meu pescoço
é a prova para si mesmo e para o mundo
que nossos corpos se (a)provaram.


(R.R.M.)

domingo, 18 de julho de 2010

Luto cromático


Triste é saber
que me visto de vermelho pra você...

... Mas você prefere rosa.

(R.R.M)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Reminiscências






Disse Freud que é disso que os neuróticos sofrem. Não sei e sinceramente, quem é esse cara pra vir dar pitaco na minha vida? Neurótica é a vovozinha! Sofrimento todo mundo tem... Sofro é de uma coisa chamada ruminação de idéias. Não tenho culpa se desenvolvi a incapacidade de eliminar os pensamentos de primeira. Eles voltam. Descobri no meu cérebro a capacidade que achei que só meu estômago tinha... a de regurgitar. Quando ele percebe que uma idéia não ta boa ainda pra cair nas graças do merecido esquecimento, ele breca, emperra, reprova, manda de volta... e lá vou eu denovo... repensar, reviver, remoer, triturar os mesmos cheiros e gostos e palavras e tentar entender porque exatamente esses cheiros e gostos e palavras e não outros... ou... porque eles me incomodam tanto? E incomodam! A porcaria toda é que agora essa minha cabeça ta numa frescura só! Pior q estagiário no primeiro dia!Não tem deixado passar nada! E ainda revira lá no fundo coisas que eu já achei que tinha esquecido... POMBAS! Assim não dá... Nunca pensei que tivesse tanta coisa entalada... que machuca, que dói que grita... ainda bem que na quietude do “por trás da tela” as lágrimas são reticências... os soluços não passam de erros de digitação e os silêncios de dor se confundem com a falta de palavras do tédio...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Primavera


E elas vêm

não sei de onde

e nem por que...


Chegam batendo asas,

pousam e alçam vôo

como bem entendem...


Bagunçam a minha ordem

numa profusão de matizes...

E me pego a me perder voluntariamente...


Entre idéias vermelhas e amarelas

Verdes e azuis

Róseas e lilases...


Que se vão...

Com a mesma leveza que chegaram...

E carregam consigo

a minha primavera.


(R.R.M)



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dist(ânsia)


Quem mandou me (mal) acostumar
com a presença constante?
Agora que não está comigo
o que eu faço?
Me prendo à lembrança...
Nessa maldita ânsia
Dist(ânsia)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Head Over Feet - Alanis Morissette




I had no choice but to hear you


You stated your case time and again


I thought about it



You treat me like I'm a princess


I'm not used to liking that


You ask how my day was



(chorus)


You've already won me over in spite of me


Don't be alarmed if I fall head over feet


Don't be surprised if I love you for all that you are


I couldn't help it


It's all your faults



Your love is thick and it swallowed me whole


You're so much braver than I gave you credit for


That's not lip service



(repeat chorus)



You are the bearer of unconditional things


You held your breath and the door for me


Thanks for your patience



You're the best listener that I've ever met


You're my best friend


Best friend with benefits


What took me so long



I've never felt this healthy before


I've never wanted something rational


I am aware now


I am aware now



(repeat chorus)



Thinking about it... for a long time...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um (parênteses) ou Da finitude e seus ritos


Poder dizer adeus é algo muito importante... Mesmo que pareça que você chegou "tarde demais"... que poderia ser diferente... É muito importante dizer "Vai com Deus"... ou com quem quer que guie num caminho confiável...

Mesmo que se guarde na memória a boa lembrança... é necessário um "último"... Um último olhar, um último sorriso, uma última palavra... Sem isso a sensação que fica é de suspensão... é de expectativa pelo próximo encontro... pela próxima oportunidade... aquela em que nós vamos finalmente poder nos despedir... e não mais entender... mas sentir que acabou... que é finito... que é humano...

Não mais como um parênteses na existência, mas como um ponto final de uma frase que fez parte do texto da sua vida... Vida que ainda tem Parágrafos e Capítulos para redigir...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Suspensão temporária da existência...


Tava pensando... caí de pára-quedas num mundo louco, que não me quer e por muitas vezes nem eu o quero... mas por mais que se tente, não é possível fugir dele, escapar... acabar de vez com ele...Deus que me livre! É o único que eu conheço e apesar de mal e porcamente, ainda tenho coisas a resolver por aqui... Acho que seria no mínimo justo que nos fosse acessível a suspensão temporária da existência... Um “entre” a luta diária, o arrastar-se no tempo, a briga infinita que vem de dentro e de fora e a inexistência... O conforto do vácuo... do vazio temporário que revigora que deixa passar numa anestesia profunda... não se pensa em nada, não se sente nada... flutua-se na calma e na plenitude do Tempo... Pra depois ser sugado de novo nessa loucura diária... Morrendo de vontade de suspender a existência por um pouquinho mais...

domingo, 4 de abril de 2010

Não se pede para alguém escolher a melhor gota do oceano...




Me perguntaram qual é meu livro favorito... Minha música favorita... Meu filme favorito... E realmente eu procurei... Tentei lembrar de cada música que de alguma forma fez e faz minha alma voar... Cada filme que me fez rir ou chorar ou livro que não saiu mais da minha cabeça desde que li... E procurei tanto... Inventei critérios inúteis pra classificar, hierarquizar, tentar colocar em ordem... Até descobrir que não tem ordem! Cada um deles foi importante de um jeito tão diferentemente único que não me é possível eleger... Aproveitei o feriado pra ir à praia... Dei a sorte de uma chuva deliciosamente forte preceder um banho de mar à luz da lua e na companhia de pessoas que eu amo profundamente... Será possível dizer qual das gostas de água salgada e gelada na pele quente me fez mais feliz? Ou qual dos raios do luar banhando a noite era o mais bonito? Eles seriam assim sem as pessoas que me faziam companhia? Ou numa outra noite, ou numa outra fase da minha vida? Nunca vou saber... Foi importante porque foi com eles, aquela noite, sob aquela lua, naquele mar... Não quero mais perder tempo em procurar “o melhor” se tenho todo o oceano...