quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Tá tudo bem?"


Me surpreendi com a pergunta feita pela segunda vez: "Você tá estranha hoje, tá tudo bem?". Oras, mas é claro que está tudo bem! Porque não estaria? Acordei hoje como acordo todos os dias, o almoço tem o mesmo gosto bom de comida de mãe, as aulas continuam chatas como sempre e entre elas vejo as pessoas que me fazem entender porque estar ali é tão bom, vez ou outra uma prova, vez ou outra uma escapada pra algum barzinho...
Tá tudo bem não tá? As coisas estão onde deveriam estar... eu também estou onde deveria estar, não estou?
Então porque a mesma pergunta, duas vezes?
A imagem no espelho não mudou, tem alguns anos que já não muda.
Então por que a pergunta?
Eu tô dando conta direitinho do que tenho que fazer, não tô?
Então por que a pergunta?

sábado, 11 de setembro de 2010

Necessidade de cont(r)atos




Já não suporto mais
não aguento
esses malditos rituais
que a tua ausência me obriga a eternizar

Contei passos
perdi abraços
e nos percalços
errei os compassos

Não consigo mais
não quero gestos vazios
preciso dos traços letais
que me tomam nos desvios

Quero seus olhos
focados nas curvas do meu corpo
mas só enquanto absorvo
o desejo ali refletido

Quero tuas mãos
apertando minha cintura
enquanto beijas com loucura
a curva do meu pescoço

Quero tua língua
deixando pequenas marcas nas minhas costas
e os arrepios quentes
nas partes mais expostas

Quero minhas pernas
entre suas coxas
e o frenesi do apogeu
desfazendo a insegurança frouxa
que - por um segundo - nos constrangeu

E quando - por fim
nos entregarmos exaustos
ao abraço de Morfeu
meu peito sobre o teu
estarei liberta enfim
da incapacidade de te dizer
ADEUS


(R.R.M.)