quarta-feira, 27 de julho de 2016

Naveguei...


Naveguei


Levantei minhas velas e fui
Hesitei
Mas minha alma inquieta pedia o mar
Arrisquei
e com o coração aos saltos segui o horizonte
Precipitei
porque coração e alma jovens desconhecem limites
Naufraguei
e nas profundezas do mar escuro me perdi
Busquei
todas as forças que eu tinha em mim para não desistir
Alcancei
a coragem que eu precisava para voltar a emergir
Repeti
essa aventura por vezes e vezes sem fim
Aprendi
que a cada naufrágio eu emergia mais forte
Retonei
e descobri que meu único erro foi o gênero.
O que minha alma pedia não era O mar
era AMAR.

(R.R.M.)

segunda-feira, 18 de março de 2013

I knew

Eu nunca estive errada
soube desde o começo
que me deixaria vulnerável
que doeria
que me enlaçaria
e me subjugaria.

O que eu nunca pensei

é que um dia seria tão absurdamente
VOLUNTÁRIO

(R.R.M.)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O que nós fazemos nessa vida repercute por todo o Universo? Infinitamente?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Recurso renovável

Coisa bonita de ver 
quando se forma a tempestade
a escuridão toma conta
e não demora a enxurrada descer

Vem abundante
descendo, lavando, tomando tudo
não tem como parar, ela impera
alaga, inunda, e leva consigo os destroços 

Para trás ficam os sulcos
as marcas
a trajetória plácida e serena
da turbulência recém enfrentada

Fica a alma desnuda
o rosto úmido
o corpo trêmulo
o vazio

E o incrível disso tudo
é que são os sulcos, 
as fendas marcadas na pele e na alma,
o berço escolhido para a renovação

A área mais maltratada pela violência da corrente
é também a mais irrigada,
solo fértil e berço do ressurgir.




sábado, 16 de fevereiro de 2013

E.T.E.R.N.A.M.E.N.T.E

ETERNAMENTE
É TERNAMENTE
ÉTER NA MENTE
É TER NA MENTE

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

My (today´s) wedding votes


"Meu amor... meu presente, futuro, eterno e grande Amor... Eu sempre amei as palavras, e as trato como dádivas, por meio das quais Deus se manifesta em Sua forma mais concreta... Até agora... Nesse momento, meu amor, carinho e anjo... eu me deparo com o limite... Como se nem a mais perfeita das palavras pudesse traduzir, em completude, o que sinto por você... Nesse momento, minha bênção, Deus não se faz concreto... Ele se faz único, soberano e absoluto... e o reflexo Dele que vejo, que sinto, que ofereço a você hoje... Por amar tão profundamente as palavras, acho que você compreende quando digo que hoje, o que me guia é o silêncio... O silêncio conquistado... Respeitoso e Sábio... O silêncio de quem ama tão profundamente as palavras, que as compreende...
Meu grande amor, é com a Alma em silêncio e o coração transbordando que me entrego por inteiro ao nosso Amor..."

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Companhia


Bem-vindas de volta
minhas companheiras noturnas.
Encontramo-nos mais uma vez...

No ar gélido e calmo da madrugada
bem- vindas de volta, companheiras
sentem-se, vamos conversar, 
quem sabe até tomar um chá...

A noite está escura, 
sei que hoje se demorarão.
Não tenham vergonha, 
já somos velhas conhecidas...

Bem-vindas de volta
professoras,
que lição temos pra hoje?
Paciência?
Essa nunca veio de verdade às nossas reuniões, não é mesmo?

Já é muito tarde?
E Disciplina? 

Ainda brigando muito com a Ansiedade?

Tragam-na mais vezes...
Ainda mais nas noites mais escuras...
A disputa entre Desespero e Solidão está virando amizade sólida,
e a noite está escura...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Choices


I chose not regret...
Good choice?
Bad choice?
My choice

Sometimes I really look back
but "if" is a treacherous word
and I think it´s time to stop falling
"If" just don´t exist

That´s just a word
not an option
so, I replaced it

"If I had taken another way" 
don´t make sense to me anymore

"I chose that way...
THEN, what?"

(R.R.M)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Gravitações


Era simples
meu mundo orbitava à minha volta
com meu umbigo no centro da galáxia
eu era a GRANDE imperatriz de mim.

Poderosa e austera
até me dava conta da imensidão do universo
mas a mim pouco interessava
controlava meu mundo com toda a autoridade
que (acreditava eu) me era natural.

Governo tirânico
centro do universo
do meu universo
e para mim bastava
era o único que importava
era o único que realmente existia.
O além-mim que orbitasse a minha volta
ou não
o importante é que do meu universo
EU
e somente eu
tinha domínio.
Até você chegar.

Eu nunca imaginei 
em todos esses férreos anos
que fosse tão fácil derrubar meu poderoso império
tão meticulosamente construído.
Estupidez.

O universo que com tanto cinismo fiz questão de ignorar
agora ri.
Presa na atração do seu mundo
Sou eu quem gravito ao seu redor...

(R.R.M.)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Meu cubo mágico

Hoje me peguei pensando... Estávamos nós dois, curtindo um momento de paz juntos. À sombra gostosa da árvore, sentados e preguiçosamente abraçados no parque, aproveitando os vestígios do sol e a bagunça que o vento frio fazia em nos cabelos. Foi ali que experimentei "A" sensação. Você já sentiu, alguma vez, que tudo está exatamente onde deveria estar? Que todo o universo está em paz, que tudo está certo, e bem ? E que a Vida caminha por si mesma, mas que uma janela do universo foi aberta pra você, só pra você, naquele instante... e tudo que você sente é... PAZ... Uma leveza confortante de que, apesar/por conta de tudo que te levou até ali... até mesmo você está onde deveria estar naquele momento... que toda a existência se completa num ciclo de...paz! Meu amor então me respondeu com a analogia do cubo mágico quando você finalmente termina de montá-lo: Todas as faces se integram... todas as cores se ordenam... todas as peças se encaixam... Não importa quanto tempo tenha levado, ou quantos movimentos tenham sido feitos: Tudo se completa, se ordena, tudo está em paz. E você se sente parte dessa paz, enquanto força criadora que ajudou a pô-la em movimento!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Azeda


Minhas gengivas doem
meus dentes doem
minhas bochechas doem
minha língua dói
meu estômago arde

Por que?
Acidez
De estômago?
Não
De humor.

(R.R.M.)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Descobertas

Descobri
que não é difícil me esquentar
e que me provocas de propósito
porque gostas de te deixares consumir por mim

Descobri
que as asas que me deram, cedo
e que me elevaram aos portais do espírito
caíram
porque é hora de meus pés me guiarem
pelo território do corpo

Descobri
que em paralelo ao anjo
sou também mulher
e que tens toda razão ao enciumar-te
pois carregarei em ostentação a minha descoberta

Descobri
em mim a intensidade do feminino
do frio do gelo
ao calor do fogo
da inocência divina
à malícia humana
do bálsamo que cura
ao veneno que mata

E
enquanto me couber
o dom e a pena
de me descobrir mulher
sofro e gozo
inteira
a deliciosa empreitada
de viver.

(R.R.M.)


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nosso silêncio


A gente fica em silêncio
quando precisa ficar.

A gente fica em silêncio
mesmo quando falamos.

Nesse nosso jeito bom
de pontuar e separar sílabas
frequentemente
frase e assunto
encontram seu fim no encontro dos lábios
mas quem se importa?!

(R.R.M.)

domingo, 30 de outubro de 2011

Eu não sei brincar...


É... descobri que perdi o jeito... aquela manha sutil de toda criança... que percebe a brincadeira como composição do mundo... não separada dele... que responde à ela também brincando... numa seriedade impressionantemente leve... carinhosa...
Descobri que perdi essa habilidade em algum lugar... e que o meu olhar para quem a manuseia com facilidade, não é mais de admiração, mas foi corrompido pela inveja...
É... ainda não sei o que houve... o que aconteceu... se foi o tempo... se fui eu... mas alguma coisa em mim endureceu... e de brisa, que acaricia, passei a ser pedra, que machuca... de mel que adoça à acidez repentina do limão... quando comecei a ser veneno em vez de bálsamo?
Não é a toa esse sentimento de solidão... assim como eu me afasto daquilo e daquele que me fere, as pessoas também não querem ser feridas...
É possível aprender? É possível calar a serpente e diluir seu veneno? Eu não me dei conta do quão difícil tem sido conviver comigo... Eu não quero me machucar... mas não suporto a idéia de que, pra isso, eu tenha que estar só... Não sei viver em grupo, mas também não me basto... Eu quero (e preciso) da mão que acaricia... mas quem faz carinho em porco-espinho?!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Caio Fernando Abreu


''Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente. Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas, vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer. Sonhos, se realizam, ou não. Os olhos se fecham um dia, pra sempre. E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só..."

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu por mim mesma aos 17 anos...

"Sem falsa modéstia, se o que você quer é alguém pra conversar fiado, muito prazer. Eu sou alguém capaz de reparar as minúcias de um pôr-do-sol e não saber se você cortou o cabelo. Não parece, mas sou incrivelmente tímida e instrospectiva. Se você já me viu chorar por um motivo que não seja dor, filmes ou saudade, creia-me, você é raro. Meu sorriso é constante. Nem sempre sincero, mas ninguém é 100% feliz. Aliás, acho que essa é a meta de todo ser humano, não? Que vem antes mesmo do "crescer financeiramente na profissão que escolhi". Eu não sou exceção.Pelo menos não nesse aspecto. Um pouco antiquada, eu diria, dessas garotas que sabem a diferença entre um short e uma calcinha, que aprecia a companhia da família, que é uma irmã coruja e superprotetora (mas mereço um desconto! É a única irmã que eu tenho!!!), que muda de canal nas cenas mais picantes porque os pais estão na sala, que cora ao ouvir um elogio.
Uma pessoa que acredita não em príncipe encantado, mas em amar de verdade, que prefere ressaltar as qualidades aos defeitos (criticar é muito fácil, o difícil é superar), que está sempre disposta a ouvir, ver filmes, dançar, aprender, ensinar...
Talvez uma sonhadora, fadada a quebrar a cara num mundo tão hostil, mas que certamente não vai chegar ao fim da vida sem a certeza de ter dado o melhor de si."

(Fragmentos de memórias, 2007)

Eu por mim mesma aos 21 anos...
É... Eu mudei tanto e tão pouco...

domingo, 25 de setembro de 2011

Remédios e curas

Então, o jaleco branco voltou. Tinha em suas mãos tantas cores lindas, condensadas em pequenos fragmentos que formavam entre si um mosaico vívido do meu sonho.

- Uma cápsula, logo pela manhã.

E eu o escutei. Cada manhã agora tem uma cor, e eu não sinto mais fome...

Com o que eu encho, então, o vazio que ficou?

O jaleco branco não me respondeu. Ele estava muito ocupado ajudando outras pessoas a compor outros mosaicos, com outras cores. Mas tudo que eu vi foram variações do mesmo sonho, do meu sonho. Coloridas, encapsuladas e promissoras, dentro do vidro.

domingo, 11 de setembro de 2011

Para que eu me encontre


devo perder-te?





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ato falho?

Porque eu li "Confissões" onde estava escrito "Configurações"?

domingo, 24 de julho de 2011

Frações particulares











Esse gosto bom na minha boca
começa com gosto de história,
que quase se perde, sutil,
nos entremeados do Tempo.


Tem aquele toque de interesse desinteressado
que gradualmente vai ficando mais interessante.




Esse gosto bom na minha boca
tem nuances amargas
de frustrações várias,
e matizes salgadas de lágrimas,
que por tantas vezes
dissolveram o gosto doce dos sorrisos.




Esse gosto bom na minha boca
tem o acento forte do medo,
da proximidade,
mas sobretudo da persistência e da fé.


Esse gosto bom na minha boca
é marcante pela liberdade de descobrir,
pelas possibilidades que você me aponta,
deliciosamente novas.


Esse gosto bom na minha boca
é o gosto da sua.




(R.R.M.)