
Foi um presente inesperado...
Cercado de palavras ainda mais inesperadas...
Era tão óbvio assim?
Mas aí estava escrito
que a melhor época pra plantar era junho...
E como ainda era dezembro,
eu esperei...
Não aquela espera cheia de expectativas,
mas aquela espera aliviada...
De quem tem medo de colher o que plantou...
Ou de ver morrer na terra
a esperança da flor...
E as sementes ficaram esquecidas...
Assim como junho...
E julho, e agosto...
E dezembro chegou de novo...
E o tempo de semear passou...
Do jardim que poderia ter sido
Ousaram brotar só algumas (belas) lembranças
E a primavera continua latente
confinada no cerne de cada semente
e esperando a minha coragem
de espantar o inverno.
E as sementes ficaram esquecidas...
Assim como junho...
E julho, e agosto...
E dezembro chegou de novo...
E o tempo de semear passou...
Do jardim que poderia ter sido
Ousaram brotar só algumas (belas) lembranças
E a primavera continua latente
confinada no cerne de cada semente
e esperando a minha coragem
de espantar o inverno.
(R.R.M.)