sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Azeda


Minhas gengivas doem
meus dentes doem
minhas bochechas doem
minha língua dói
meu estômago arde

Por que?
Acidez
De estômago?
Não
De humor.

(R.R.M.)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Descobertas

Descobri
que não é difícil me esquentar
e que me provocas de propósito
porque gostas de te deixares consumir por mim

Descobri
que as asas que me deram, cedo
e que me elevaram aos portais do espírito
caíram
porque é hora de meus pés me guiarem
pelo território do corpo

Descobri
que em paralelo ao anjo
sou também mulher
e que tens toda razão ao enciumar-te
pois carregarei em ostentação a minha descoberta

Descobri
em mim a intensidade do feminino
do frio do gelo
ao calor do fogo
da inocência divina
à malícia humana
do bálsamo que cura
ao veneno que mata

E
enquanto me couber
o dom e a pena
de me descobrir mulher
sofro e gozo
inteira
a deliciosa empreitada
de viver.

(R.R.M.)


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nosso silêncio


A gente fica em silêncio
quando precisa ficar.

A gente fica em silêncio
mesmo quando falamos.

Nesse nosso jeito bom
de pontuar e separar sílabas
frequentemente
frase e assunto
encontram seu fim no encontro dos lábios
mas quem se importa?!

(R.R.M.)

domingo, 30 de outubro de 2011

Eu não sei brincar...


É... descobri que perdi o jeito... aquela manha sutil de toda criança... que percebe a brincadeira como composição do mundo... não separada dele... que responde à ela também brincando... numa seriedade impressionantemente leve... carinhosa...
Descobri que perdi essa habilidade em algum lugar... e que o meu olhar para quem a manuseia com facilidade, não é mais de admiração, mas foi corrompido pela inveja...
É... ainda não sei o que houve... o que aconteceu... se foi o tempo... se fui eu... mas alguma coisa em mim endureceu... e de brisa, que acaricia, passei a ser pedra, que machuca... de mel que adoça à acidez repentina do limão... quando comecei a ser veneno em vez de bálsamo?
Não é a toa esse sentimento de solidão... assim como eu me afasto daquilo e daquele que me fere, as pessoas também não querem ser feridas...
É possível aprender? É possível calar a serpente e diluir seu veneno? Eu não me dei conta do quão difícil tem sido conviver comigo... Eu não quero me machucar... mas não suporto a idéia de que, pra isso, eu tenha que estar só... Não sei viver em grupo, mas também não me basto... Eu quero (e preciso) da mão que acaricia... mas quem faz carinho em porco-espinho?!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Caio Fernando Abreu


''Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente. Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas, vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer. Sonhos, se realizam, ou não. Os olhos se fecham um dia, pra sempre. E o que importa você sabe, menina. É o quão isso te faz sorrir. E só..."

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu por mim mesma aos 17 anos...

"Sem falsa modéstia, se o que você quer é alguém pra conversar fiado, muito prazer. Eu sou alguém capaz de reparar as minúcias de um pôr-do-sol e não saber se você cortou o cabelo. Não parece, mas sou incrivelmente tímida e instrospectiva. Se você já me viu chorar por um motivo que não seja dor, filmes ou saudade, creia-me, você é raro. Meu sorriso é constante. Nem sempre sincero, mas ninguém é 100% feliz. Aliás, acho que essa é a meta de todo ser humano, não? Que vem antes mesmo do "crescer financeiramente na profissão que escolhi". Eu não sou exceção.Pelo menos não nesse aspecto. Um pouco antiquada, eu diria, dessas garotas que sabem a diferença entre um short e uma calcinha, que aprecia a companhia da família, que é uma irmã coruja e superprotetora (mas mereço um desconto! É a única irmã que eu tenho!!!), que muda de canal nas cenas mais picantes porque os pais estão na sala, que cora ao ouvir um elogio.
Uma pessoa que acredita não em príncipe encantado, mas em amar de verdade, que prefere ressaltar as qualidades aos defeitos (criticar é muito fácil, o difícil é superar), que está sempre disposta a ouvir, ver filmes, dançar, aprender, ensinar...
Talvez uma sonhadora, fadada a quebrar a cara num mundo tão hostil, mas que certamente não vai chegar ao fim da vida sem a certeza de ter dado o melhor de si."

(Fragmentos de memórias, 2007)

Eu por mim mesma aos 21 anos...
É... Eu mudei tanto e tão pouco...

domingo, 25 de setembro de 2011

Remédios e curas

Então, o jaleco branco voltou. Tinha em suas mãos tantas cores lindas, condensadas em pequenos fragmentos que formavam entre si um mosaico vívido do meu sonho.

- Uma cápsula, logo pela manhã.

E eu o escutei. Cada manhã agora tem uma cor, e eu não sinto mais fome...

Com o que eu encho, então, o vazio que ficou?

O jaleco branco não me respondeu. Ele estava muito ocupado ajudando outras pessoas a compor outros mosaicos, com outras cores. Mas tudo que eu vi foram variações do mesmo sonho, do meu sonho. Coloridas, encapsuladas e promissoras, dentro do vidro.

domingo, 11 de setembro de 2011

Para que eu me encontre


devo perder-te?





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ato falho?

Porque eu li "Confissões" onde estava escrito "Configurações"?

domingo, 24 de julho de 2011

Frações particulares











Esse gosto bom na minha boca
começa com gosto de história,
que quase se perde, sutil,
nos entremeados do Tempo.


Tem aquele toque de interesse desinteressado
que gradualmente vai ficando mais interessante.




Esse gosto bom na minha boca
tem nuances amargas
de frustrações várias,
e matizes salgadas de lágrimas,
que por tantas vezes
dissolveram o gosto doce dos sorrisos.




Esse gosto bom na minha boca
tem o acento forte do medo,
da proximidade,
mas sobretudo da persistência e da fé.


Esse gosto bom na minha boca
é marcante pela liberdade de descobrir,
pelas possibilidades que você me aponta,
deliciosamente novas.


Esse gosto bom na minha boca
é o gosto da sua.




(R.R.M.)





sábado, 4 de junho de 2011

"Fui para os bosques para viver livremente.


para sugar o tutano da vida,


para aniquilar tudo o que não era vida


e para, quando morrer, não descobrir que não vivi"




Thoreau

Suspiro



Foram só algumas palavras


e ainda tô querendo entender


por que doeram tanto...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Grafites, borrachas, tintas e decisões...





Em um curto período de tempo


perdi duas lapiseiras



Uma dada a mim pelo meu pai


e a outra, por ele emprestada


A que me foi emprestada


reavi


A que com tanto carinho me foi dada


jamais encontrei



Pensei então


no quanto necessito agora


começar a lançar-me à tinta




Por mais cara que me seja


a oportunidade de desmanchar e reescrever
já é hora de fazer escolhas mais definitivas


Agradeço ao meu pai


assinante esferográfico


de tantos dos meus grafíticos textos


Mas agora é a minha hora


de oficializar decisões
e, de próprio punho e sem borracha


assumir a escrita e as rédeas
das minhas próprias escolhas.


Raíssa Rodrigues Módolo

domingo, 24 de abril de 2011




E deixei tanto pra trás
pensando na hora de partir

Que quando ela chegou, percebi
que o que eu deixei pra trás
foi a hora de ficar...

terça-feira, 15 de março de 2011

No negro véu do esquecimento...

Surgiu assim...
Centelha entre duas lâminas afiadas
meu ego chocou-se no teu
e fizemo-nos
AMIGOS
___
Embalados pela doçura ilusória do tempo
nos conhecemos
e no conhecer nos comprouvemos
e no comprazer nos compartilhamos
e no compartilhar nos amamos
___
Esticamos os momentos,
nos perdemos nas horas,
pausamos os encontros
e aceleramos as ausências
de um modo displicente
inocentemente infantil...
___
E como toda criança um dia deixa de sê-lo
a nós tampouco curvou-se o tempo
anunciando a hora de ir...
___
Então, perdoa-me se choro.
Não me havia dado conta
do adiantado da hora...
___
É tempo das mãos se separarem;
Dos olhos que olhavam nos olhos
olharem para frente...
Dos pés que seguiam ao lado
tomarem outra estrada...
___
Quem sabe existam cruzamentos à frente...
Quem sabe não...
Quem sabe outras pessoas nos tomarão pela mão...
Quem sabe não...
___
Só rogo
de todo o meu coração
que leves de mim
uma mínima fração que seja,
quando carrego tanto de ti.
E não permitas que na sua Vida eu caia
no negro véu do esquecimento...
___
(R.R.M.)

domingo, 30 de janeiro de 2011

Diferenças semelhantes ou Semelhanças diferentes...


Conversávamos.



Você recostado na poltrona

com minha cabeça apoiada

preguiçosamente

no seu colo

enquanto nossos olhos castanhos

se examinavam meticulosamente.



Exibíamos nossos sorrisos fáceis

daqueles que chegam à boca

antes de alcançar os olhos

mas estávamos bem assim mesmo.



Falávamos de tudo e de nada;

Dos anos de companhia despretensiosa

e da pretensão de conhecer mais.



Focada nos seus olhos castanhos

a pergunta escapou dos lábios

"Qual a diferença entre namorados e melhores amigos, além dos beijos?"



Pego de surpresa

ouvi estarrecida os orbes castanhos

falando de intimidade,

sentimentos,

vontade de estar juntos sempre que possível...



Desconcertada, pensei

em quanta intimidade compartilho com meus amigos

na saudade,

na raiva,

no carinho,

no Amor que nutro por eles,

na imensa vontade de estar junto,

a cada pequena oportunidade.



Descobri que desconheço

que por não saber a diferença

AMEI a cada amigo

da minha forma híbrida e distorcida

apaixonada e possessiva.



Amei e amo

um amor de abraços e carícias

exigente de atenção e afeto

mas ausente de beijos.



Amo um amor morno

estável e disponível

eternamente esperançoso

enlouquecedoramente

ETERNO.




(R.R.M.)





domingo, 9 de janeiro de 2011

Inconstância

Eu ouvi uma vez
que metade de mim era amor
e a outra...
também
Mas amor é esse
que nunca está satisfeito?
Que pede calma
mas provoca tempestades
Que exige a solidão
e chora por companhia
Que na ânsia de não amar
cresce e se fortalece segundo a segundo?
Que amor é esse, inconstante
polar e conflituoso?
Que nada quer
quando tudo deseja;
Que abre asas para o vazio
mas enxerga a queda e não o vôo;
Que busca reciprocidade
mas só se contenta com o espelho?
Que tipo de amor sou Eu?
(R.R.M.)