As vezes gente se arrepende de algumas coisas que faz
e sempre nos amarguramos pelas coisas que não fizemos.
Se eu não te tenho hoje, infelizmente não posso me arrepender;
Não foi uma oportunidade mal aproveitada.
Foi uma não aproveitada.
Responsabilidade é diferente de culpa.
Não tenho culpa por não te ter
Massou responsável por não estarmos juntos.
sábado, 17 de outubro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Aprenda algo hoje...
Sorte do dia do infame Orkut: Aprenda algo hoje...
Hoje? Em um fim de semana aprendi que você pode fazer uma escolha, se arrepender dela e se divertir assim mesmo... que pessoas desconhecidas podem ser muito simpáticas se você permite que elas se aproximem de você... que você pode mudar seus planos, optar pelo improvável, magoar pessoas por simples idealizações egoístas e se frustrar tremendamente... Que a pessoa mais improvável será a única a lembrar de você... que ter uma irmã linda e uma madrinha “pra frente” não ajuda muito quando você está de maiô na frente de adolescentes que parecem ter corpos 5 anos além do desenvolvimento comum... que não importa quantos quilômetros você se afaste dos seus problemas... eles te alcançam rápido demais... Que se eu continuar no nível de ansiedade que eu tô só por coisas que eu mesma sei que não deveriam me afetar tanto, eu vou morrer cedo demais... que no meio de um semestre incrivelmente lotado, você tirar três dias pra não saber de internet, textos, livros, aulas, ensaios, palestras, cursos e etc é um luxo ao qual eu devo me entregar mais vezes... que respirar fundo e pensar positivamente talvez possa servir pra alguma coisa... que eu não devo pegar óculos HB emprestados se eu não pretendo ficar com eles o tempo todo... Que eu devo conversar e principalmente agradecer mais a Deus... ele me ouve quando eu peço... Que posso sentir falta do mundo e sentir falta de ninguém ao mesmo tempo... Que eu perdi tempo demais sentindo pena de mim quando tenho dois braços e duas pernas que podem fazer muito mais do que auto-comiseração...
Sorte da vida: Fazer dela um eterno aprendizado... eterno enquanto durar...
Hoje? Em um fim de semana aprendi que você pode fazer uma escolha, se arrepender dela e se divertir assim mesmo... que pessoas desconhecidas podem ser muito simpáticas se você permite que elas se aproximem de você... que você pode mudar seus planos, optar pelo improvável, magoar pessoas por simples idealizações egoístas e se frustrar tremendamente... Que a pessoa mais improvável será a única a lembrar de você... que ter uma irmã linda e uma madrinha “pra frente” não ajuda muito quando você está de maiô na frente de adolescentes que parecem ter corpos 5 anos além do desenvolvimento comum... que não importa quantos quilômetros você se afaste dos seus problemas... eles te alcançam rápido demais... Que se eu continuar no nível de ansiedade que eu tô só por coisas que eu mesma sei que não deveriam me afetar tanto, eu vou morrer cedo demais... que no meio de um semestre incrivelmente lotado, você tirar três dias pra não saber de internet, textos, livros, aulas, ensaios, palestras, cursos e etc é um luxo ao qual eu devo me entregar mais vezes... que respirar fundo e pensar positivamente talvez possa servir pra alguma coisa... que eu não devo pegar óculos HB emprestados se eu não pretendo ficar com eles o tempo todo... Que eu devo conversar e principalmente agradecer mais a Deus... ele me ouve quando eu peço... Que posso sentir falta do mundo e sentir falta de ninguém ao mesmo tempo... Que eu perdi tempo demais sentindo pena de mim quando tenho dois braços e duas pernas que podem fazer muito mais do que auto-comiseração...
Sorte da vida: Fazer dela um eterno aprendizado... eterno enquanto durar...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Saudade Súbita

Surgiu
silenciosa por cima dos sobrados
Sombreou
o que antes era Sol
Sorriu
sombria na espreita.
Regressei à lembrança suspeita
das palavras sussuradas em tom urgente
que sorrateiras como um bote de serpente
Separaram-nos.
Só a saudade reina agora
Soberana
e traz de volta a realidade simples e sonora
Sobrei.
(R.R.M.)
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Esquadros (meus) - Adriana Calcanhoto (e eu)

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
(Tons de Marias
Semitons de Robertos
Sombras de Amélias
Luzes de Pedros
Cores de Vida
coloridas na experiência de viver.)
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...
( As vezes sou bem sucedida
As vezes parece que insisto na tarefa árdua
pelo prazer masoquista de me frustrar
Mas a ânsia de controlar
de contar
de vigiar, filtrar,preparar
planejar
é grande demais.
Quem suporta a espontaneidade da surpresa?)
Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...
(Viver se tornou tão banal.
Será mesmo?!
É Vida esse arrastar de horas
dias
meses
anos?
O riso é o mesmo
As lágrimas também
O olhar já não olha mais
As imagens se fixaram
nos olhos
nos pensamentos
nos atos
nos sentimentos.)
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
(Pela janela da mente
pela janela dos olhos
pela janela da alma...
Quem sou eu?
Que no desvario de me dar forma
me dei limites
E me prendi nos muros
que eu mesma construí.
Mesmos muros que salto toda noite
pra me espalhar
me fragmentar
me dispersar e desprender
me desfazer por aí.
Nesse regime espartano e ditador
não sigo à risca nem o dito a mim mesma.)
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
(Eu também vivo correndo
Por que?
Pra que?
Por quem?
Pra onde?
Perdi de vista onde queria chegar
quando comecei a andar
E penso que só vou me lembrar
quando voltar a caminhar
Chega de fugir
de um monstro que é meu
Meu monstro sou eu
E é nele que me mostro.)
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
(Encaixo e desencaixo
procurando o encaixe perfeito.
É impressão minha,
ou em todos os meus quebra-cabeças
falta, pelo menos, uma peça?)
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
(Testemunho a efemeridade
Pessoas cruzam o meu caminho
e eu modifico-lhes a existência
No bater de asas de uma borboleta.
E a minha existência?
Quem modifica, senão eu mesma?
Segunda, terça, quarta
-não tem ninguém aqui -
Quinta, sexta, sábado
-nada mudou -
Domingo
-Eu mudei, ME mudei -
Segunda, terça, quarta
-não tem ninguém aqui ...)
-não tem ninguém aqui ...)
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
(Enquadro um mundo que não me enquadra
Que não me cabe
Eu sou a peça que falta.)
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
(Será que é aqui que você se encaixa?)
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
(E foi na tentativa de me encaixar,
de fazer caber nas margens rígidas
que me descobri inútil.
E como seria diferente se quis pôr em uma peça
todo um novo quebra-cabeças, tão ou mais complexo que o que eu queria completar?)
(Adriana Calcanhoto - Esquadros - Em negrito; R.R.M. - em itálico)
sábado, 18 de julho de 2009
De minha corporificação...
De quando ameaço erguer-me
até quando irremediavelmente tenho que partir.
Incansavelmente me esperas
à mesma janela
frente ao mesmo mar.
Olha-me nos olhos
e sinto teu prazer
em me vigiar
me escoltar
interpelar
interpretar
incendiar
incandescer...
Desci.
Desci do meu pedestal argírico
Despi.
Despi-me de minhas vestes negras
Desvelei
Desmitifiquei
Descendi.
Atendendo á tua súplica
ensurdecedoramente muda
íntima
íntegra
etérea
eterna;
corporifiquei.
E nesse corpo
de formas fluidas,
firmes,
fanático
de desejos
furiosos,
finalmente
fundimo-nos.
Encontramo-nos
nos meandros avassaladores de
nossos mistérios.
Imperamos eternamente
na fugacidade de nosso êxtase
e ainda embalados
pela lânguidez da entrega...
Despedi-me.
Desfiz-me de meus parcos limites corpóreos
e reassumi minha imensidão.
Retomei a divindade que sempre me pertenceu
mas sem deixar pra trás
não mais
nunca mais
a humanidade que experimentamos
JUNTOS.
(R.R.M.)
sábado, 11 de julho de 2009
(re)conhecimento

Acordei hoje com um pensamento
que não sei de onde veio ou porque estava comigo quando levanteitalvez seja porque ao abrir os olhos
dei com o Céu mais perfeitamente azul
que uma sexta feira poderia me oferecer.
Pensei em como é possível que pessoas enxerguem Deus
no raio quente do Sol de toda manhã
ou no Céu azul rajado de rosas, dourados e vermelhos de um pôr-do-sol;
quem sabe ainda na fúria das ondas do mar
que (ao mesmo tempo) castigam as pedras da orla
e beijam sutis a area branca da praia?
Como é possível enxergar a magnitude do Criador
nas manifestações mais sutis de sua obra sem perceber
o mesmo calor do Sol no sorriso de uma criança,
as mil nuances de cores que contém
o olhar de quem te escuta com tudo o pode oferecer no momento;
sem compreender o paradoxo que é
simplesmente ser HUMANO
amar e odiar
bater e beijar
acreditar desacreditando
e desacreditar reafirmando a crença?
Pensar em Deus
de tantos nomes
cores
e formas
assim como somos de diferentes nomes
cores
e formas
só reafirmou em mim
a minha incpacidade de reduzi-lo a um pensar.
Acordei
não só pra mais um dia
mas pra um novo ser
um novo estar
um novo querer...
Quero senti-Lo em cada abraço que receber
quero capturá-Lo em cada sorriso que vir
quero admirá-Lo em toda Sua grandeza
e agradecer cada segundo de Vida
que Ele me proporciona em Seu Infinito Amor.
(R.R.M.)
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Quando o maior querer... é sem querer...

E foi assim que eu quis
pensando sempre com todo o meu querer
e querendo sempre sem muito pensar
E assim me desfiz
quando o querer deixou de ser promessa
sem querer
eu comecei a querer não mais querer
a querer esquecer
E se de repente tive que aprender
a questionar o meu querer
não foi por te mal-querer
mas por começar a me bem-querer
E que direito tinha o passado
de requerer?
E, displicente, ressuscitar em mim
um antiqüíssimo querer
quase sem querer...
E o que é que eu faço agora?!
Me ensina a ter você
ou a matar de vez esse querer
que me mata a cada espera
as vezes... sem você nem perceber
Porque eu descobri que quero
mas não sei querer
e ardo sem saber dizer
que do seu jeito estranho
tudo me faz pensar em você
(R.R.M.)
sábado, 27 de junho de 2009
Do mistério da sedução...

Cheguei em casa assim
a blusa amassada
retorcida num canto
a barra da calça enlameada
pingava tanto quanto o cabelo
colado ao rosto lavado.
A noite já se adentrava
e na ânsia de chegar me equilibrava entre pastas
projetos
planos
sonhos
Foi aí que te encontrei.
Livrou-me das pastas num arroubo
ganhou a boca molhada no segundo seguinte
no duelo de línguas percebi
a calça enlamenando o tapete...
tão longe da cama
O corpo que chegou lavado de chuva
foi então lavado de beijos
de carícias
de desejo
de prazer...
E o alvorecer nublado
trouxe consigo a satisfação
estampada no rosto e nos lençóis
de nossos corpos inconscientes.
(R.R.M.)
quarta-feira, 10 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Um orgasmo cotidiano

Lancei a idéia despretensiosamente
Quase um pensamento solto
que me atravessou antes que pudesse contê-lo
“ BRIGADEIRO!”
Simples e gostoso
A provocação foi sua
Sabia que era golpe baixo
“ Ah... Derrete uns bombons de chocolate no meio pra pegar consistência
Passa na uva ou no morango
Como se fosse fondue...”
Foi a minha última gota de resistência
Antes de me entregar
Ao prazer quase devasso da fantasia
De sentir o chocolate morno
Nos lábios...
Na língua...
Na garganta...
Em mim.
Um êxtase de sensação
Ápice de prazer
Um orgasmo gastronômico
Não satisfeito
Mostrou suas garras novamente
“Foi bom pra você?
Ou posso aumentar o ritmo?”
Desprovida de qualquer lógica
ou senso estético
Tudo que a poética me permitiu balbuciar foi
“Manda ver”
Tudo que a poética me permitiu balbuciar foi
“Manda ver”
Então veio a seqüencia...
“Uvas
Trufas
Sorvete
Pavê
Jujuba
Açúcar...”
Abandonei a cômoda passividade
E tomei parte no seu jogo
“Sonho
Paçoca
Brigadeiro
Quindim
Mousse
Torta alemã
De limão
De morango
Pavê de nozes...”
Vi no seu sorriso cínico
Que acertei o alvo
“Você é boa nisso”
Sorri satisfeita
De repente...
Na dinâmica das palavras...
No afã do momento...
“Lasanha!”
“Você quer mudar agora? É isso?”
No afã do momento...
“Lasanha!”
“Você quer mudar agora? É isso?”
Dei prosseguimento de onde paramos
“Salgadinho
Kibe assado
Pão de queijo
Patê de frango
Pizza..."
Abruptamente você parou
e eu não entendi nada
“perdi o ritmo”
“mas foi você quem mudou!"
“perdi o ritmo”
“mas foi você quem mudou!"
Silêncio
"Esquece! Esfriei”
“hum... Mas frio também é gostoso...
Gelatina mosaico
Sorvete de morango...”
“desiste”
“Calma um pouco, a gente já volta”
“hum... Mas frio também é gostoso...
Gelatina mosaico
Sorvete de morango...”
“desiste”
“Calma um pouco, a gente já volta”
Silêncio
“De novo?”
“Já lavei a louça e escovei os dentes”
“ Nossa! Vou pra cozinha sozinho então”
“ O sal de frutas está em cima da geladeira”
Quando foi que
o prazer do chocolate
se transformou em saudade
e hortelã?
(R.R.M.)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Um perceber...

Saí de casa como faço todos os dias. O mesmo caminho, quase sempre as mesmas pessoas. E como faço todos os dias, esperei o bendito ônibus no sol... Por minutos eternos a fio. Num de meus rompantes de impaciência (ou mau costume mesmo, como preferir) enrolei pela enésima vez, desde que ali cheguei, meu cabelo e percebi alguns fios enrolados em meus dedos. Soltei-os na brisa leve (leve demais num sol de meio-dia) e observei-os planar até que um ou outro caiu no asfalto, e alguns colaram-se à roupa de alguns passantes. Pela primeira vez, dei-me conta do significado daquilo. Meu DNA, o que me forma, meu todo em uma pequena parte de mim era agora parte da vestimenta de um estranho. Para onde será que ele me levaria? Afinal, ali, naquele fio fino de cabelo, também estava eu. Comecei a pensar então em como deixo partes de mim em tudo. Minhas digitais se espalham por tudo que eu toco e do jeito que eu sou desastrada, não posso dizer que seja pouca coisa! Minha epiderme marca, de células minhas, abraços, encontrões, beliscões, topadas... contatos pequenos... que me disseminam pelo mundo e já não dou conta mais da minha extensão... Posso estar em tantos lugares e mesmo aqui trago comigo tantos (des)conhecidos... Já não bastassem meus microfragmentos espalhados por aí, pensei ainda no que componho de outros modos. Um sorriso que faz parte de uma lembrança distante na memória de alguém... Uma colocação que por algum motivo já fez alguém pensar... a voz que canta a canção que fica... meu gosto na boca e na memória de pessoas que também deixaram seus gostos na minha memória... e as palavras... que entre um verso e outro carregam todo um “DNA do meu sentir” a cada vez que me coloco a escrever... Percebi de verdade e me assustei com a dimensão física e não física de mim. Finalmente compreendi melhor... e literalmente... que eu componho o mundo que me compõe...que existirei enquanto houver um pedacinho, ainda que ínfimo, meu em algum lugar. Talvez planando no vento, ou colado à roupa de um estranho... quem sabe na marca da carícia ou do tapa. E quando todos eles finalmente se extinguirem, me farei presente, eternamente, na memória daqueles que também compus.
Do que já não me satisfaz

Escrever
ponte de ligação
entre muros
entre Almas
entre mundos.
Mas o que acontece
quando rompem-se
desaparecem
os alicerces do meu criar?
Alicerces sintásicos
semânticos
metafóricos
que pareceram simplesmente ruir
bem no meio de uma travessia importante.
Palavras já não sustentam
o peso do que me habita
Dissolvem-se
Desfazem-se
Fragmentam-se
e a brisa suave que vem de dentro
como um vendaval
as leva para tão longe.
Por hora
descanso olhando a beleza triste
das ruínas do que outora fora magno
Outros tempos virão
Novos vocábulos emergirão
E na fluidez sutil do que é meu
(re) construo meus pilares.
(R.R.M.)
sábado, 23 de maio de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Labirinto

Me percebo na bifurcação
pela direita, o ódio de te ver denovo
pela esquerda, a lembrança e o desejo.
Por mais que eu insista
em continuar à direita
logo na frente os caminhos se confundem
e me pego mais uma vez na bifurcação
pela direita, eu não preciso de você
pela esquerda, eu quero você denovo
Mas que inferno!
E pego o caminho errado denovo
e denovo
e denovo
e denovo...
E me envolvo
me embaraço
me perco
me acho
me machuco
me reergo
e continuo
Sempre
a me perder
entre paredes
e portas
que se abrem e se fecham
e me empurram
e me convidam
que me cercam
E me exigem
E o que eu faço?
me envolvo
me embaraço
me perco
me acho
me machuco
me reergo
e continuo
Quem sabe assim
nossas opções se encontrem
e finalmente confluam
ao próximo labirinto
de mãos
bocas
olhos
línguas
pernas
peitos
promessas
entregas
carícias
sorrisos
e lembranças
Onde finalmente nos perderemos
sem volta
em nós.
(R.R.M.)
domingo, 10 de maio de 2009
Sinestesia
terça-feira, 5 de maio de 2009
Prazer masoquista

Foi quando o copo acertou o espelho
que senti
a vontade que fosse você
a vontade que fosse você
Ver a sua cara despedaçada
em milhões de pedacinhos
sem conserto
me deu prazer
Eu quis
que o perfume que escorre agora na parede
fosse seu sangue
que a almofada que jaz
aos pés da cama
fosse seu corpo
que cada lágrima minha
derramada por sua culpa
fosse uma gota de veneno
corrompendo a sua Alma
Eu quis
delirantemente
destruir
cada traço
cada vestígio
cada nuance sua
E foi assim que me desfiz
de mim
(R.R.M.)
domingo, 26 de abril de 2009
Seguir
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Arrozfeijãoefrango
Hoje acordei meio enjoada. Achei que fosse a fome de ter acordado ao meio dia em plena segunda feira considerada feriado. Mas depois do almoço ainda estava enjoada. Não dava nem pra pôr a culpa no arrozfeijãoefrango de sempre. Fui pra casa da vovó como todo fim de semana e ainda assim q coisa chata! Enjôo filho da puta que não me deixava em paz! Tentei me concentrar no texto que estava lendo, as mesmas matérias de sempre, com os mesmos assuntos de se
mpre e nada daquele maldito passar.Voltei pra casa com tudo entalado, embrulhado, o estômago reclamando, a cabeça doendo e o humor atravessado. Foi então que eu vomitei, vomitei toda a raiva de ter quatro dias teoricamente livres de feriado e não ter nada interessante pra fazer, de desperdiçar o tempo da minha vida estudando coisas que não quero, vendo as pessoas fazendo as mesmas coisas, inclusive eu. A paisagem que passa correndo pela janela do 509 não muda, a pessoa que há dois anos o pega pra ir pra faculdade não muda, o curso que ela escolheu não muda, os lugarem pra onde ela vai não mudam... Vomitei. Vomitei de novo toda a repulsa por essa vidinha morna. A culpa do enjôo foi o arrozfeijãoefrango sim! Arrozfeijãoefrango que se repetem à tanto tempo que já nem sei quando era novidade. Enjoei! Enjoei de fazer tudo sempre igual e sentir que a minha vida escorre por entre os artigos de PGE e os textos de DGRH. Quando foi a última vez que prestei atenção em TTP?! Quando foi a última vez que senti prazer? Prazer em estar ali, em pesquisar um assunto interessante, em conversar um assunto diferente... Quando foi a última vez que meu celular tocou pra alguma coisa deferente de "O texto é pra amanhã", "A gente tira xerox depois da aula","Não chega tarde em casa"... Chegar tarde como?! O arrozfeijãoefrango de todo dia não deixa. Já tomou conta de cada um dos meus passos. Finalmente alguma coisa nessa mistura foi indigesta o suficiente pra me obrigar a pôr pra fora! Pra parar e olhar pra imundície que eu tô fazendo... com a MINHA vida...
terça-feira, 14 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
DEUS (A)

Eu estou no teu sorriso
quando vagueio por tuas lembranças
quando vagueio por tuas lembranças
Eu estou nas tuas lágrimas
quando voltam-se para mim
os teus pensamentos
Eu estou no teu olhar
quando sorrindo vês
teu filho brincar
Eu sou a tua saudade
Eu sou a tua lembrança
Eu sou a tua alegria
e a tua tristeza também
Eu sou nosso passado
E sou o teu presente
E continuarei a ser
pra sempre
enquanto passares à frente
Quem sou eu
(R.R.M.)
terça-feira, 10 de março de 2009
Marcas

Por trás desses olhos cansados
que fitam o vazio
eu vejo vestígios
de sonhos
Alguns concretizados
outros frustrados
alguns apenas sonhados
outros nem sequer imaginados
Vejo as marcas que o tempo escavou na pele
lentamente
uma por uma
as pequenas valas por onde escorreram os anos
que levaram consigo os arroubos
e deixaram para trás a mansidão...
A expressão vazia de uma vida sofrida
apoia-se nas mãos calejadas
no suor do rosto
em braços e pernas fortes
que sustentam bem mais do que a parca carcaça
envelhecida
O mundo que se encerra
por detrás desse triste olhar
é um dos sagrados segredos humanos
Por detrás desses olhos
o passado manda lembranças
o futuro se espelha no presente
e a Vida me sorri de longe.
(R.R.M.)
(R.R.M.)
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
P-A-L-A-V-R-A-S
perigosas pérolas
que me partem
pequenas
do peito
e te presenteiam
primeiramente o pescoço,
perto da pele.
Posteriormente
uma parte profunda
Primitiva
Primordial.
Puxam-me
da penumbra prisioneira
Privam-me
da punição do passado
do qual sou prisioneiro que padece
por problemas pueris.
Príncipes,
princesas,
piratas,
parentes problemáticos
perdidos no pretérito.
Pareço preocupar-me prematuramente,
porém
se me permites a pergunta,
Por que a pressa?
Palavras que passam
paralelas ao presente
Como o precioso poente
que se propõe a partir na praia
peço pela primeira vez
Perdoe-me
por pensar em perder-te.
(R.R.M.)
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Minha pena

Fui pega em flagrante
e ainda que não o fosse
sou réu confessa.
Acusação?
Amar-te
Algemaste-me à ti
como se fosse castigo
Mal sabias que era assim
que imaginava a eternidade
A punição começou de fato
quando tuas mãos se libertaram
Por meu crime me condenaste
aos espaços entre os abraços
à espera pelo toque
às lacunas entre os beijos
Tentei a todo custo
aliviar a minha pena
mas o bom comportamento
é avesso ao Amor
Rebelei-me
Procurei-te
Decidi-me
Seduzi-te
Iludi-me
Conseqüência?
Solitária
Os vãos agora são eternos
não há o som da tua voz
ou o afago de tuas mãos
A segurança de teus braços
ou a doçura de teus lábios
Liberdade?
Prefiro a cadeira elétrica
Não suportaria o castigo de libertar
pra sempre de ti
É duro demais
Dentro da cela fria e escura
confinada em mim
eu rezo a cada dia
pela bênção de uma perpétua
Onde eu estaria
para sempre
presa à ti.
(R.R.M.)
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